Atravessando as Portas do Ministério do Tempo

Fotos: RTVE/Divulgação

Atenção: o texto contém alguns spoilers!

Uma das mais recentes incursões no universo das viagens pelo tempo é El Ministerio del Tiempo, série espanhola criada pelos irmãos Pablo e Javier Olivares. Desde sua estreia em 2015, ela tem abordado fatos e personalidades da Espanha, que embora marcantes naquele país, talvez não sejam tão conhecidos no Brasil. Situação oposta ao que ocorre com a história dos Estados Unidos ou da Inglaterra, por exemplo, que tem sido amplamente difundida por meio de séries e filmes, chegando a nós com uma frequência muito maior.

Nos 21 episódios de El Ministerio del Tiempo já apresentados, o espectador percorre os mais variados períodos no passado da Espanha, tendo através deles a oportunidade de aprender (ou saber mais) sobre os protagonistas dos fatos que fizeram sua história. Ao cruzarem estas portas, estejam preparados para conhecer figuras como o poeta Federico García Lorca, e o pintor Salvador Dalí, ou para observar a devastadora gripe espanhola de 1918 e a derrota da Armada Invencível no século 16.

Federico García Lorca (Ángel Ruiz)

A série parte do pressuposto que todos os governos têm segredos. O da Espanha é o Ministério do Tempo. Nele, funcionários provenientes de diversas épocas têm a missão de impedir que a história mude. Para tanto, viajam ao passado sempre que uma alteração no tempo é detectada. Mas não se enganem, pois não se trata de uma máquina do tempo. As viagens são possíveis graças a portas existentes na Casa-Palacio de la Duquesa de Sueca, número 2 da praça Duque de Alba, em Madri. Construído no século XVIII, há décadas está abandonado e em ruínas. Lugar perfeito para esconder este ministério secreto.

As portas foram encontradas e catalogadas em um livro pelo rabino Abraham Levi, que em troca de proteção para ele e sua família, deu o livro à Rainha Isabel, em 1491. Neste ano, foi fundado o Ministério do Tempo. Atualmente, ele é administrado pelo Subsecretário Salvador Martí (Jaime Blanch), com a ajuda de Ernesto Jiménez (Juan Gea), seu Chefe de Operações; Irene Larra Girón (Cayetana Guillén Cuervo), a Chefe de Logística; e sua secretária Angustias (Francesca Piñón). Entre os principais agentes de campo estão a jovem universitária vinda da Barcelona de 1880, Amelia Folch (Aura Garrido), que é Chefe de Patrulha; Alonso de Entrerrios (Nacho Fresneda), um soldado do Terço de Flandres, oriundo do século 16; o policial Jesús Méndes (Hugo Silva), conhecido como Pacino, de 1981; e o paramédico Julián Martínez (Rodolfo Sancho), o único contemporâneo nesta patrulha.

Salvador e Ernesto junto ao livro das portas

Como é de se esperar, segredos vazam. Ademais, nem todas as portas estão catalogadas. Assim, aqueles que tomam conhecimento das oficiais ou descobrem clandestinas, em geral, não são bem-intencionados. Muito pelo contrário, de alguma forma esses indivíduos pretendem usar as portas para alterar fatos ou obter vantagens pessoais. Por isso, além de questões pontuais, o Ministério precisa enfrentar alguns inimigos de porte, entre eles, os franceses. Estes são responsáveis pela missão El Tiempo Es el Que Es, a primeira da patrulha formada por Amelia, Julián e Alonso.

O Alarme soa quando um viajante francês do passado chega a Madri por uma porta clandestina à procura de informações sobre a Guerra da Independência Espanhola. Seu plano: retornar a 1808 e matar Juan Martín Díez, conhecido como El Empecinado (Hovik Keuchkerian), e assim impedir a derrota da França. A missão da patrulha: deter o francês e encontrar a porta clandestina.

Josep Linuesa sendo preparado para interpretar Thibaud, o viajante francês

Enquanto a patrulha cruza a porta 21 do Ministério do Tempo para cumprir sua missão, vamos percorrer a verdadeira história de Juan Martín Díez e saber por que ele foi tão importante durante aquele conflito. Alimentado por um forte ressentimento desde a vitória da França na Guerra de la Convención (1795), Díez não viu com bons olhos a passagem do exército francês por terras espanholas rumo a Portugal em 1808. Conta a lenda que um sargento e um soldado franceses chegaram no povoado de Burgos, onde morava, para passar a noite. Eles invadiram a casa de uma mulher e a violentaram, partindo impunemente. Díez então reuniu um grupo, caçou e executou os culpados. Declarado proscrito, ele foi obrigado a fugir.

Enquanto isso, a presença das tropas francesas em território espanhol crescia de forma preocupante. Napoleão Bonaparte pouco a pouco ocupava o território do país, até que em maio de 1808, forçou as abdicações de Carlos IV e seu filho Fernando VII, fato conhecido como as Abdicações de Baiona. A seguir, ele nomeou seu irmão José Bonaparte ao trono. A quebra do Tratado de Fontainebleau (1807), acordo entre Espanha e França que determinava a conquista conjunta de Portugal e a divisão dos territórios, deu início a levantes contra a invasão francesa. Começava a Guerra da Independência Espanhola.

No início da guerra, o exército espanhol estava em grande desvantagem (100 mil soldados contra 400 mil). Diante desta inferioridade, Díez, El Empecinado, percebeu que só conseguiria contra-atacar se agisse de forma não convencional. Ele formou grupos de guerrilha e começou a interceptar as linhas de abastecimento e comunicação dos franceses. A fama de seus feitos se espalhou por todo o território espanhol, levando centenas de homens a seguir seu exemplo. Em 1809, mais de 6 mil homens o seguiam, protegendo os povoados e principalmente a passagem dos exércitos aliados hispano-ingleses. Devido às guerras europeias e à campanha russa, a França começou a fraquejar em 1811, sendo finalmente derrotada em 1814.

Segundo a Professora de História Josefina Martínez Álvarez (universidade UNED), teria sido muito difícil ganhar a guerra sem Juan Martín Díez e outros guerrilheiros importantes, pois além do exército espanhol não ter capacidade para enfrentar os franceses, os aliados ingleses se mantinham em Portugal.

El Empecinado – o da série e o verdadeiro

Na segunda temporada, a patrulha precisa retornar a 1808 e, dessa vez, enfrentar o próprio Napoleão Bonaparte. Em El Monasterio del Tiempo, Amelia atravessa a porta 492 na companhia de Pacino, Alonso e Angustias com a missão de garantir que Rodolfo Suárez (Ismael Martínez) não seja executado por ordem do Imperador, sob a acusação de espionagem. Ele está preso no Convento de Santa Clara, no município de Tordesilhas, em um congelante mês de dezembro. Salvador explica a importância deste soldado, revelando que ele foi – é – um antepassado de Adolfo Suárez, Presidente do Governo da Espanha entre 1976 e 1981. Enquanto para nós, este nome talvez não pareça relevante, para a Espanha, ele tem especial significado, pois ele foi o principal articulador de uma significativa reforma no país. A seguir, veremos alguns detalhes desta reforma.

Suárez teve um papel importante depois da morte do General Francisco Franco. Conhecido como Generalíssimo, Franco foi líder de um golpe de estado que provocou uma guerra civil de 1936 a 1939, pondo fim à república e dando início a um governo ditatorial que duraria quatro décadas. Devido a problemas de saúde, em 1969, ele nomeou o príncipe Juan Carlos de Borbón como seu sucessor, acreditando que, ao assumir como rei, ele seguiria a política franquista. Porém, dois dias depois da morte de Franco em novembro de 1975, Juan Carlos começou a desmantelar a estrutura autoritária do governo anterior. Um dos primeiros passos foi substituir Carlos Arias Navarro, Presidente do Governo nomeado por Franco, pelo pouco conhecido Adolfo Suárez Gonzáles, em julho de 1976.

Suárez começara sua carreira política em 1955, ocupando diversos cargos no governo franquista, entre eles o de Diretor Geral da RTVE (a estatal que transmite El Ministerio del Tiempo), posição na qual se dedicava a divulgar a imagem do príncipe Juan Carlos. Como novo Presidente do Governo, ele teve a árdua tarefa de fazer a transição do regime ditatorial ao democrático, enfrentando forte oposição dos principais partidos políticos, dos militares e dos movimentos sociais e sindicais.

Apesar das tensões, ele conseguiu elaborar a Lei da Reforma Política, um instrumento jurídico que permitiria realizar a transição. Uma vez aprovada pelas Cortes (um pseudoparlamento da era franquista), ela foi submetida a um referendo popular no dia 15 de dezembro de 1976. Com a aprovação, a lei foi então promulgada em janeiro de 1977, e em junho do mesmo ano, o país teve as primeiras eleições gerais desde a Guerra Civil. Assim como fizera antes do referendo, Suárez voltou à televisão para pedir à sociedade que participasse do processo eleitoral. A coalisão de direita União de Centro Democrático (UCD), liderada por ele, saiu vencedora. Uma das primeiras decisões-chave do seu governo foi montar uma Comissão Constitucional para elaborar a nova Constituição Espanhola. No dia 6 de dezembro de 1978, a Constituição foi aprovada em referendo nacional, marcando assim, o retorno da democracia à Espanha.

Rodolfo Suárez (Ismael Martínez)

Como podemos ver, os franceses têm dado muito trabalho ao ministério. Mas não estão sozinhos nesse jogo, pois outra frequente fonte de preocupação para os funcionários do ministério são os americanos. A primeira missão que os coloca em confronto é Una Negociación a Tiempo, na qual Salvador recebe a visita de Aaron Stein (Ben Temple). O americano surpreende o subsecretário ao lhe apresentar um despacho de citação e revelar que conhece a natureza do ministério. Ele alega ser representante dos descendentes do rabino Abraham Levi (Paco Obregón), autor do livro das portas. Lembram-se que ele ofereceu o livro à Rainha Isabel (Michelle Jenner) em troca de proteção? Pois segundo Stein, ela não cumpriu com sua parte do trato. Ficou com o livro, enquanto Levi foi condenado pela Santa Inquisição a morrer na fogueira.

Abraham Levi entrega o livro a Isabel, a Católica (Michelle Jenner)

Mas Stein não está de fato interessado em fazer justiça. Ele exige a devolução do livro aos herdeiros de Levi, além de 100 milhões de dólares. De acordo com o despacho, Salvador tem apenas cinco dias até seu comparecimento no tribunal. É o tempo que terão para providenciar o dinheiro, senão, Stein irá expor o segredo do ministério.

A patrulha formada por Amelia, Julián e Alonso atravessa a porta 148 para chegar a Toledo no ano de 1491 com a missão de impedir que Levi seja enviado à fogueira pelo Inquisidor Geral, Don Tomás de Torquemada. Quando Stein retorna ao ministério, é surpreendido pela presença do rabino são e salvo. Salvador promete lhe enviar um relatório com amostras de DNA e uma análise das roupas de Levi como prova de que não foi executado. Stein não tem outra escolha, senão partir resignado.

A este confronto seguem vários outros. Em Cualquier Tiempo Pasado, conhecemos Paul Walcott (Jimmy Shaw), um viajante do tempo americano que está por trás do desaparecimento do recibo de venda do Guernica, famoso painel de Pablo Picasso, à Espanha. Se esse recibo não for encontrado, o quadro terá de ser devolvido ao Museu de Arte Moderna de Nova Iorque. Walcott termina preso em uma masmorra do século XI, onde Irene o interrogará para obter informações que ajudem a patrulha de Amelia, Julián e Alonso durante a missão Tiempo de Picaros. Ela descobre que Walcott trabalha para a empresa Darrow Limited Company, idealizadora de um túnel do tempo que funciona com energia nuclear. Um dos usuários desta máquina é o defraudador Alberto Diaz Bueno, que utilizou o recurso para fugir da lei e se esconder no século XVI, onde se tornou Corregedor Real na cidade de Salamanca. Além de estar roubando ouro, também está reescrevendo a história.

Walcott entre Ernesto e Irene em Cualquier Tiempo Pasado

A patrulha ainda tem mais três embates com os americanos nas missões Tiempo de Hidalgos, Óleo Sobre Tiempo e Tiempo de Magia. No primeiro, Paul Walcott e John Bennett (Markos Marín), agentes da Darrow Limited Company, vão a 1604 e oferecem duas mil coroas a Miguel de Cervantes (Pere Ponce) por seu manuscrito de Dom Quixote. O autor aceita a fortuna e decide abandonar a literatura e dedicar-se ao teatro. Eles também pretendem comprar manuscritos do escritor Lope de Vega (Víctor Clavijo).

Walcott e Bennett negociam com Cervantes

No segundo, os agentes da Darrow viajam a 1734 para substituir todas as pinturas do castelo Real Alcázar de Madrid por cópias. Na noite de natal daquele ano, o local foi completamente destruído por um incêndio, que também consumiu mais de 500 telas. Mas o objetivo do grupo não é filantrópico, a Darrow já tem compradores dispostos a pagar muito dinheiro pelas obras salvas. No terceiro, a patrulha vai a 1924 para impedir que o segredo do ministério seja vendido ao governo americano. Durante a reunião, Amelia, Pacino e Alonso recebem as seguintes instruções.

Ernesto: Senhoras e senhores, vocês precisam viajar a 1924 para evitar que o Ministerio do Tempo se torne propriedade dos Estados Unidos e do FBI. (Na época chamado BOI, Bureau of Investigation.)

Irene: Sim, há momentos em que mudar o passado poderia nos levar a um mundo pior. Este é um deles.

Uma curiosa diferença entre as incursões destes dois grandes adversários é que, enquanto as ofensivas francesas buscam os interesses do país, do lado americano as investidas são feitas por indivíduos inescrupulosos. Parece haver certa irreverência na abordagem da relação entre Espanha e Estados Unidos. A explicação para estas provocações pode estar na própria história destes dois países, algo que Javier Olivares, um dos criadores e também roteirista da série, deve conhecer muito bem, pois é formado em história pela Universidad Complutense de Madrid.

Javier Olivares

Para tentar entender, voltemos ao final do século XIX, época em que os países da Europa buscavam expandir seus territórios para além-mar, formando colônias na África. Com o objetivo de evitar disputas na partilha do território conquistado, em 1884 foi feita a Conferência de Berlim, que estabelecia regras para a divisão entre as nações europeias. Enquanto isso, os Estados Unidos estavam interessados em adquirir Cuba, colônia espanhola pela qual fizeram várias ofertas. Como não tiveram sucesso, revolveram recorrer à Doutrina Monroe. O preceito criado pelo presidente americano James Monroe em 1823 condenava qualquer tentativa de colonização por parte de potências europeias. A doutrina se resumia na frase: “A América para os Americanos.”

Em 1898, durante uma visita do Capitão Charles Sigsbee à ilha, seu navio (Maine) explodiu, matando centenas de tripulantes. Para investigar o incidente, foram criadas duas comissões, uma americana e outra espanhola. Ao final, os americanos colocaram a culpa na Espanha, que rechaçou as acusações e prometeu declarar guerra se os Estados Unidos tentassem ocupar a ilha. Ao mesmo tempo, em ambos os países, a imprensa começou a fazer campanhas de desprestígio ao adversário. Nos Estados Unidos, era enfatizado o heroísmo do povo cubano, que de fato desejava livrar-se do jugo espanhol. O conflito se espalhou pelas demais colônias e terminou com a derrota da Espanha.

No dia 10 de dezembro de 1898, os dois países assinaram o Tratado de Paris, que previa o direito de Cuba à independência, porém sob o controle dos EUA, e obrigava a Espanha a ceder Porto Rico, Guam e Filipinas. Com a perda destas colônias (e um ano depois, das ilhas Carolinas e das Marianas, vendidas à Alemanha), a Espanha foi jogada em uma grave crise política e econômica. A Guerra da Independência de Cuba e o conflito nas Filipinas são retratados em Tiempo de Leyenda e Tiempo de Valientes. Cabe mencionar que em 1808, a Espanha já havia perdido o controle sobre a Califórnia, nos Estados Unidos, pois Fernando VII fora aprisionado na França após as Abdicações de Baiona.

Tiempo de Valientes

Outra explicação pode estar em 1947. Em plena era franquista, os Estados Unidos criaram o Plano Marshal, um programa de recuperação da Europa após a Segunda Guerra Mundial. Embora a Espanha não tivesse participado do conflito, era simpatizante das Potências do Eixo (Alemanha, Japão e Itália), por isso, ficou fora do plano e foi isolada pela ONU. Nos anos 50, dentro de um contexto de guerra fria e percebendo a importância geográfica da Espanha, os Estados Unidos se reaproximaram do país a fim de ali estabelecerem bases militares. Ademais, ambos os países eram anticomunistas. Por isso, os EUA renunciaram às suas exigências de reformas econômicas como pré-requisito para auxiliar a Espanha e passaram a apoiar o regime ditatorial de Franco.

Estes importantes eventos na história da Espanha talvez tenham deixado certo ressentimento no inconsciente coletivo dos espanhóis – ou talvez apenas em seus roteiristas. Seja como for, este sentimento também pode ser percebido em forma de crítica ou deboche em outros momentos da série. Em Tiempo de Leyendas, por exemplo, o ministério precisa pôr a biografia de El Cid Campeador de volta no seu curso natural. Enquanto os funcionários relembram a produção do grande épico americano El Cid, relatam a visita do ator Charlton Heston à Espanha, onde foi pesquisar sobre o personagem que ele interpretaria no cinema. Em sua conversa com o historiador espanhol Menendéz Pidal, Heston, ícone de Hollywood, é apresentado como um ignorante.

Tiempo de Leyendas

Em Tiempo de Picaros, temos dois comentários sarcásticos. Durante o interrogatório de Walcott na masmorra, ele reclama das condições desumanas na prisão. Ao que, Irene replica: “Não se queixe, vocês têm Guantânamo.” Mais adiante, ao ser informado sobre o equipamento desenvolvido pela Darrow para viagens no tempo, Salvador comenta com certo descaso: “Um túnel do tempo! A realidade parece mais com uma série de TV.”

Uma divertida provocação ocorre em Tiempo de Venganza, quando um funcionário impede que os americanos roubem o protótipo de um esfregão inventado por Manuel Jalón em 1964. Bom, como Salvador disse em Tiempo de Hidalgos, “São americanos, se puderem comprar algo, compram.”

É bom salientar que Espanha e Estados Unidos são nações amigas. Porém, é possível que estas “cutucadas” continuem na terceira temporada, já que a Onza Entertainment, produtora da série, cruzou as portas da justiça, no dia 27 de setembro de 2016, para processar a Sony Pictures, a Kripke Enterprises e a NBC, responsáveis pela série americana Timeless, por plágio e quebra de contrato implícito. Nas 10 páginas da demanda, o queixoso mostra as semelhanças entre as duas séries e explica como a ideia foi copiada.

Timeless

Em resumo, a Onza alega ter dado um DVD com uma versão legendada da série à Gersh Agency com o objetivo de vender a ideia ao mercado americano e lá produzir uma nova versão, como foi feito em Portugal. O vídeo foi mostrado à Sony, que supostamente concordou em produzir a versão e ofereceu um contrato de 18 meses em meados de 2015. Contudo, em agosto daquele ano, a Sony anunciou o projeto de Timeless. De acordo com o representante da Onza, a Sony então encerrou as negociações com a produtora espanhola.

A Sony e a NBC não negam as semelhanças, mas argumentam que a difusão pública de El Ministerio del Tiempo foi uma revelação consensual da premissa, e que esta premissa pode ser imitada sem que aja qualquer quebra de contrato. Afirmam também que viajar no tempo é um tema tão popular, que os fundamentos de Timeless não tiveram origem na série espanhola. Todavia, em fevereiro de 2017, o Juiz Federal Stephen Wilson da Califórnia negou uma moção dos réus para encerrar o processo.

Enquanto isso, as portas da terceira temporada de El Ministerio del Tiempo já prometem encontros com Alfred Hitchcock e Luis Buñuel, e o envolvimento dos funcionários na Operação Carne Picada (Operation Mincemeat), um bem-sucedido plano para enganar Hitler, durante a Segunda Guerra Mundial.

Alfred Hitchcock  (José Ángel Egido) na terceira temporada

As novas missões da patrulha de Amelia podem ser acompanhadas no Brasil pelo canal espanhol TVE, presente na grade das principais operadoras, em versão original sem legendas. As duas primeiras temporadas já foram apresentadas e a terceira ainda não estreou. A série também poderá ser assistida na Netflix. De acordo com alguns sites, 190 países terão acesso ao streaming, que ainda não tem data de estreia divulgada.

Cartaz da 3ª temporada
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